segunda-feira, 5 de setembro de 2011

52º

Epílogo
Peguei aquele envelope com certo receio, agradeci a moça simpática e voltei pra o apartamento do Nate, no qual eu estava hospedada desde que ele concluiu a faculdade e arrumou o primeiro emprego como engenheiro químico.
         – Oi, linda! – disse me beijando. – Você demorou um pouco, está com problemas na faculdade... – o interrompi.
         – Não amor, na faculdade vai tudo bem, quer dizer, são só mais dois meses, então... – percebi que estava saindo do assunto, e ri sozinha.
         – O que foi? – ele riu junto, o que era normal.
         – Olha amor, – mostrei o envelope. – Lembra que eu te falei que o medico me mandou fazer alguns exames? – sorri largo.
         – Sim, – ele me olhou com um careta. – Você pode estar doente e fica com esse sorriso no rosto? – riu. – Não entendi. – passei minhas mãos por seu rosto, enquanto sentava em seu colo.
         – Na verdade amor, os exames não são de sangue e nem nada... – o olhei. – É um exame de gravidez! – um sorriso instantâneo surgiu em seu rosto, fazendo com que acontecesse o mesmo no meu. Nós abrimos o teste e lá dizia claramente que eu estava grávida. Nate ficou tão feliz quanto eu, afinal, já estávamos morando juntos, ele empregado, eu concluindo a faculdade... Enfim, nos amávamos demais, e um filho agora era a prova disso! Eu não precisava de mais nada, sabia que a minha felicidade estava garantida pro resto da minha vida só de olhar nos olhos azuis do meu Nate e me lembrar de que carregava no ventre um fruto do nosso amor, do nosso sincero e puro amor.
 

51º

Final
Como algum poeta, de nome desconhecido por mim, já dizia: nada é por acaso! O meu intercambio poderia ter sido considerado um desastre do começo ao fim, mas, se você for repensar em tudo exatamente como começou pode perceber que tudo levou a alguma coisa. Debby veio me substituir e acabou se casando com meu irmão. Kenny se tornou meu melhor amigo. Se eu não tivesse conhecido Giovanna, Tomás também não teria conhecido o, possível, amor de sua vida. Jéssica ficou sem nenhuma amiga aqui e começou a freqüentar outros lugares, em um deles ela conheceu seu atual e apaixonado namorado. Bem, eu fiz novos amigos, tive novas experiências, tirei inúmeras fotos que com certeza contribuirão para a minha entrada em alguma faculdade de fotografia, amadureci no sentido “dona de casa”, também aprendi a dar mais valor a minha família e aos meus amigos, e é claro, conheci um príncipe que não vou largar tão cedo! 

50º (3)

Quando deu 16h eu fui tomar um banho, deixei o meu cabelo solto, e prendi somente a franja pra trás. Meu vestido era azul de bandagem, e um sapato meia pata preto. Passei uma maquiagem um pouco mais reforçada e um perfume. Quando eu terminei de me arrumar todos já estavam prontos e somente me esperando. Fomos em direção a área da chácara que seria o casamento, aconteceria durante o por do sol.
         – E aí seu pelego! – falei pro Jorge, brincando! – Nervoso? – ele ajeitava a gravata freneticamente, enquanto esperava Debby chegar.
         – O que você acha? – eu ri.
         – Você tá certo de que é isso o que quer, não tá? – perguntei mais por precaução, estava na cara do Jorge que ele realmente gostava da Debby, mas ainda era difícil aceitar.
         – Eu to! – ele sorriu. – Eu ainda vou ter que me acostumar com essa idéia... – nós rimos. – Ser pai e me casar antes mesmo de começar a trabalhar, parece estranho. – fez uma careta engraçada. – Mas eu amo ela e aquela criança mais que tudo, não tenho duvidas disso!
         – Eu só quero a sua felicidade! – falei com algumas lagrimas nos olhos.
         – Eu sei maninha, eu também! – ele me abraçou.
Bom, depois eu fui me sentar. Fiquei do lado dos meus pais, e no banco ao lado do nosso ficaram os Parker. Vi toda a cerimônia com lagrimas de alegria nos olhos... Apesar de ter abominado um pouco a Debby no começo, era tudo porque ela me lembrava Nate e tudo de ruim que eu passei nos EUA, mas agora que estava tudo bem, ela se mostrou uma pessoa boa. Eu sabia que meu irmão seria feliz a partir dali! Depois do casamento teve a festa, não deu pra aproveitar muito porque foi no estilo americano, e lá as coisas eram mais serias. Nós passaríamos o resto do fim de semana na chácara, então organizamos tudo lá e dormimos

50º (2)

Eu, Nate e Kenny almoçamos na casa dos meus tios, depois voltamos pra minha casa. Ajudamos a colocar tudo o que era necessário dentro dos carros, e meus pais e os Parker foram mais cedo pra chácara. Jorge levou Debby para o salão, e enquanto isso nós fizemos umas malas com o que precisaríamos, porque decidimos que iríamos nos arrumar na chácara, já que ainda estava cedo pra ficar de vestido formal por ai. Jorge levou no carro dele Eu, Nate, Kenny e as duas amigas de Debby. Bom, chegando na chácara tivemos que ajudar a montar toda a decoração do local onde seria a cerimônia, e decorar o salão também. Foi puxado! 

50º (1)

07 de Janeiro de 2010
Acordei já era tarde. Quase na hora do almoço. Nate já não estava mais do meu lado, então eu fui direto para o chuveiro. Coloquei só um shortinho jeans e uma regata branca. Na sala da minha casa estava uma verdadeira bagunça! De novo todos iam pra lá e pra cá, cada um com a sua função. O casamento seria essa noite, e em uma chácara que os Parker alugaram, em uma cidade próxima. Nate ficou encarregado de ir ao aeroporto buscar algumas amigas da Debby, que viriam para celebrar, sendo que alguns familiares já haviam chegado de Atlanta e estavam hospedados em um hotel da cidade. Eu resolvi ir junto com ele, preciso cuidar do que é meu, não é mesmo?
         – Em alguns minutos o avião delas pousa! – ele disse vindo em minha direção na sala de espera do aeroporto. – A gente pode aproveitar em quanto isso... – ele veio me beijar, mas eu o segurei.
         – Por que a gente não aproveita pra conversar? – ele riu. – Vai demorar pra termos um momento a sós novamente! – sorri.
         – Então tá, pode falar! – me olhou.
         – Como você já deve saber, a sua mãe veio falar comigo e ela mesma me pediu pra voltar pra Atlanta com vocês, – respirei fundo. – Mas pra isso preciso ter certeza de que nada vai mudar, você não vai simplesmente terminar comigo e decidir que não quer mais, não é? – eu sei que aquilo era muita pressão pra qualquer um, mas eu precisava saber, era um grande passo que eu tomaria indo morar com o namorado.
         – Eu juro! – deu um sorriso de canto. – Eu te amo, sua boba! – me beijou. Acho que foi o melhor beijo que ele já me deu, até porque, agora eu tinha certeza: ele me amava! E eu o amava também, é claro.
         – Eu também te amo gatinho! – comecei a dar vários selinhos nele, que se prolongaram em um beijo, que foi interrompido por algumas gargantas femininas sendo coçadas de propósito. Ok, eu não ia sentir ciúmes a essa altura do campeonato... Ia? Bom, a principio tudo foi tranqüilo. Nate nos apresentou, depois fomos direto pra casa.

49º

Uma semana
As coisas continuavam muito bem. E melhorando! Terminaram-se todos os preparativos para o casamento do ano, como costumavam chamar, e isso me assustava um pouco. Afinal, com tantas festas e tudo mais, eu mal tive tempo de pensar sobre o que faria. Eu ainda tinha um semestre antes do vestibular no Brasil, então poderia ir para os EUA, aproveitei pra falar com meus pais sobre isso, eles tiveram de entender, afinal, eu já era quase maior de idade, e estava disposta a deixar o Brasil novamente pelo possível amor da minha vida. 

48º (2)

Quando acabamos, eu fui pra casa me arrumar. Tomei banho, fiz uma escova no cabelo e o prendi em um rabo de cavalo alto. Passei uma maquiagem leve, coloquei um vestido todo branco balonê e uma sapatilha azul claro. Passei perfume e voltei pra casa dos meus tios. A festa de ano novo aconteceu normalmente, comemos, brindamos quando deu a meia noite e depois eu, Nate, Kenny, Jorge, Debby e Jéssica, sem o namorado dessa vez, fomos para o terraço do prédio, onde estava acontecendo uma festa na piscina. Foi a minha vez de ligar pra Tomás e Giovanna, em mais ou menos meia hora eles chegaram. A festa estava bem animada, quando fui surpreendida pela Jéssica, que me puxou para um canto mais quieto.
         – O que foi? – eu ri sem graça. Nós ficamos tão distantes desde que ela começou a namorar, que era até estranho ela me chamar pra conversar.
         – Eu quero só te pedir perdão!
         – Pelo que? – eu queria ouvi-la dizer o que sentia.
         – Por ter te afastado de mim assim, eu acho que senti um pouco de ciúmes do Kenny, – ela sorriu sem graça. – Ou sei lá, mas foi loucura minha! Eu não devia ter feito isso, você é a melhor amiga que eu pedi a Deus! – nós rimos.
         – Tudo bem Jéc, eu também senti sua falta! – a abracei. – Mas não faça mais isso! – ela riu. Depois continuamos a festa. Voltamos pra casa, exaustos! Eu só tomei um banho e quando acabei, claro, empurrei Nate pro chuveiro. E depois nós dormimos.

48º (1)

31 de Dezembro de 2009
Já era ano novo. A mesma festa de uma semana atrás estava sendo montada, dessa vez no apartamento dos meus tios. Eu estava arrumando as frutas em uma bandeja, enquanto meu namorado me abraçava por trás, me distraindo totalmente.
         – Se vocês continuarem assim ela não acaba nunca! – Jorge disse rindo.
         – É, deixa eu mostrar como se faz! – Kenny tirou a faca da minha mão, empurrou eu e Nate e tomou meu lugar perto das frutas.
         – Você não vai conseguir fazer isso com a delicadeza da Marina. – Debby disse também rindo. Procurei minha melhor amiga com os olhos, ela estava sentada na mesa, servindo chocolate na boca do Fabio, totalmente desligada da conversa. Quando olhei de volta o celular de Kenny estava tocando, só deu pra ouvir ele atender com um “Oi amor, que saudade!” e sair dali. Nós rimos, e eu retomei meu lugar terminando de arrumar as frutas.
         – Isso que é exemplo! – Jorge disse.
         – É mesmo amor, – Nate disse. Não era fofo? – Porque nós não seguimos o exemplo dele e vamos conversar lá no quarto... – eu o interrompi.
         – Você tá muito saidinho pro meu gosto Senhor Nathaniel! – disse séria. Ele riu, fazendo uma carinha de cachorro abandonado, fui obrigada a enchê-lo de beijinhos.
         – Quer saber? – Debby pegou a faca da minha mão. – Deixa que eu termino isso! – nós rimos. Depois enrolar muito, nós conseguimos terminar de arrumar aquelas frutas.
 

47º

Cinco dias
Os dias iam passando e minha vida ia melhorando cada vez mais. Com meus pais ia tudo bem. Eu estava realmente muito feliz pelo Jorge, ele e Debby pareciam duas crianças que tinham acabado de ganhar um brinquedo novo com essa história de gravidez e casamento. O namoro dos meus amigos Tomás e Giovanna ia muito bem, assim como o da Jéssica com Fábio, apesar de estar meio distante de mim, eu estava feliz por ela. Minha amizade com Kenny não podia estar melhor, além de ele ter se aquietado um pouco e me prometido que faria de tudo pra não ser mais expulso de casa. E ah, Nate, bem, esse estava cada vez mais próximo e amado por mim, se é que me entende. 

46º (2)

         – É... Oi Lucy! – eu não sabia bem o que dizer.
         – Posso entrar? – ela perguntou tímida.
         – Claro! – eu não podia ser mal educada com ela, por mais que quisesse.
         – Eu queria... – ela me olhou. – Eu quero te pedir perdão! Eu não deveria ter me aproveitado de você, nem impedido que você ficasse com o Nate, mas... – ela se sentou. – Eu estava tão nervosa! Como se já não bastasse o Kenny estar no hospital, a Christine, que era namorada no Nate veio me procurar, me disse que estava grávida, e eu senti que não podia deixar meu filho a abandonar naquele estado.
         – Tudo bem Lucy, eu entendo! – falei receosa.
         – É, mas nada disso me dava o direito de te tratar daquele jeito. Saiba que estou arrependida, e... Me perdoa?
         – Sim. – sorri.
         – Pois agora, – ela sorriu e pegou nas minhas mãos. – Quero te pedir algo, de coração! Tudo bem?
         – Claro! – eu ri.
         – Volta conosco? – sorriu de uma forma convidativa. – Eu não quero mais ver o meu Nate sofrendo, ainda mais por minha causa.
         – Eu fico feliz com o convite Lucy, mas ainda vou conversar com meus pais sobre isso. – sorri. Então ela agradeceu, se despediu e saiu. Assim que eu me deitei a porta se abriu, sozinha.
         – Será que a senhorita liga se os seus americanos prediletos te incomodarem um pouco essa noite? – eu ri alto. Era Kenny e Nate, segurando um pote cheio de brigadeiro.
         – Não, não vou ligar! – sorri e dei espaço pra eles. Deitaram um de cada lado. Procurei na televisão algum filme legal pra gente assistir, tinha uma comedia que começaria em 20 minutos. Aproveitamos os 20 minutos pra se aconchegar e conversar um pouco, nós rimos mais do que falamos, foi engraçado. Logo o filme começou, mudei o áudio para inglês. Nós assistimos tudo, minha barriga até doeu de tanto rir. Depois eu dei um beijo de boa noite no Nate, o abracei e dormi. 

46º (1)

25 de Dezembro de 2009
Acordei com muita dor de cabeça. Estava no sofá do apartamento do Tomás. Olhei pro lado e vi Nate me abraçando, me encolhi mais um pouco e voltei a dormir. Acordei novamente com uns barulhos pela casa. Percebi que Giovanna estava andando por ali, e me levantei.
         – Bom dia! – eu disse meio rouca.
         – Boa tarde! – ela disse rindo. Olhei no relógio da parede, já eram 15h. Tomei um baita susto. Fui pro banheiro lavei bem o rosto, tirando a maquiagem que estava toda borrada e escovei os dentes. Desamassei minha roupa e dei uma ajeitada no cabelo, com as mãos. Quando sai me deparei com Tomás só de samba canção tentando acordar Jorge e Kenny. Eu fui em direção ao Nate e o acordei com vários selinhos. Depois que todos já estavam de pé, contando com Fabio e Jéssica. Tomás decidiu apresentar o churrasco brasileiro pra Kenny e Nate. Passamos o resto da tarde comendo, bebendo um pouco e rindo. Na hora de ir embora, Fabio levou Jéssica, e Jorge levou eu, Nate, Kenny e Debby. Eu fui direto tomar um banho, e como já estava tarde coloquei uma camisola. Estava me deitando, quando bateram na porta. Fui abrir e me assustei ao ver Lucy ali.

45º (2)

Quando deu 18h eu fui me arrumar. Tomei um banho demorado e fiz uma escova deixando meu cabelo liso escorrido. Coloquei uma tiara branca e fina puxando a franja pra trás. Passei uma maquiagem leve, depois fui me vestir. Coloquei um shortinho jeans, uma blusa tomara que caia florida e uma sapatilha rosa. Passei um perfume, e sai do quarto. Todos estavam arrumados e cheirosos. Jéssica chegou em casa perto da meia noite, porque estava na casa do namorado. Quando finalmente chegou meia noite todos foram desejar feliz natal uns aos outros, e trocar os presentes. Eu ganhei um jogo de lentes pra minha câmera dos meus pais, um perfume do meu irmão, uma pulseira de prata dos meus tios e do Nate uma corrente de ouro, além de um pedido oficial de namoro. Eu não podia estar mais feliz! Quando acabamos de comer, eu, Nate, Debby, Jorge e Jéssica fomos convidados pelo Tomás e pela Giovanna pra ir no apartamento dele, onde estava rolando uma festinha.
Nós fomos no carro do meu irmão, meio apertados. A festa foi boa, tanto que não estávamos nem em condições de ir pra casa, tivemos que dormir lá. Pra falar a verdade, não me lembro bem da hora que eu dormi. 

45º (1)

24 de Dezembro de 2009
Hoje era véspera de natal. A casa estava literalmente uma bagunça! Meus pais e meus tios estavam encarregados de fazer a ceia, então eles iam pra lá e pra cá atrás de muita comida, bebida e sobremesas. Lucy, Harold e Debby queriam uma decoração típica de americanos, então eles estavam organizando essa parte, logo Kenny se juntou a eles, já que estava inquieto. Meu irmão tinha ido buscar o presente que daria pra Debby, uma aliança de ouro que eu, Jéssica e Giovanna havíamos ajudado a escolher. Já eu estava deitada com Nate no sofá bem tranqüila, afinal, não tinha nada demais pra fazer.
         – Suas férias vão até quando? – perguntei pra ele, que fazia carinho na minha cabeça, calado.
         – A ultima semana de janeiro! – ele me olhou. – Você já resolveu o que vai fazer? – eu não entendi a pergunta.
         – Como assim?
         – Ah, – ele coçou a cabeça, meio nervoso. – Onde vai fazer faculdade e tal.
         – Não sei ainda, por quê? – eu ri.
         – Eu prefiro que você faça em Atlanta! – na hora eu me engasguei. Eu ainda não tinha pensado em como seria. Por estar no intercambio, eu acabei atrasando pra fazer o vestibular, então só poderia fazer no próximo semestre. Eu pensava em fazer pra universidades daqui, mas agora que estava com Nate, eu estava confusa. Sabe, eu gostava dele, de verdade, e não queria ter que ficar longe dele agora.
         – Eu não sei, só vou fazer o vestibular no próximo semestre! – sorri.
         – Ah, – ele sorriu. – Então bem que você podia ir pra Atlanta com a gente, pra compensar pelos meses que perdeu de intercambio. – eu sorri e dei um selinho nele.
         – Não sei se sua mãe iria me querer lá. – eu bem que queria falar pra ele que ela mal olhava na minha cara e era grossa comigo, mas acho que ele já reparava isso, e seria mal educado da minha parte falar uma coisa dessas pro filho dela.
         – Eu prometo que falo com ela, se... – sorriu sapeca. – Se você for pensar no que eu te falei. Ok? – eu assenti e o beijei. Queria aproveitar ele o máximo.
 

44º

Seis dias
Tudo estava indo bem. O casamento do meu irmão seria um pouco depois do ano novo, porque a Debby não queria se casar com a barriga muito aparente, até porque algumas pessoas da família dela dos Estados Unidos viriam para a cerimônia, e lá eles eram rígidos pra essas coisas. Eu contei para os meus pais que estava ficando com Nate, minha mãe aceitou numa boa, só o meu pai que ficou com o pé atrás, mas é normal e uma hora ele teria que aceitar, afinal, eu já tenho 17 anos. Jéssica e Fabio estavam firmes, tanto que agora eu mal via minha amiga, e isso me entristecia. Porém Kenny continuava lá pra me animar! 

43º (2)

Nate estava lá, sorrindo de forma maliciosa.
         – Achei que... – fui interrompida por um beijo. Um beijo maravilhoso e demorado, afinal, estávamos com saudade um do outro.
         – Eu tenho umas surpresas pra você. – ele sorriu.
         – Que surpresa? – perguntei muito curiosa.
         – Que horas são? – perguntou procurando alguma coisa.
         – Eita, para quieto! – nós rimos. – São 13h, por quê?
         – Você tem uma hora. – disse, piscou e saiu do quarto. Sem entender nada, eu fui tomar um banho. Estava muito quente, então coloquei um vestidinho, uma rasteirinha e fiz um coque soltinho no cabelo. Fui atrás do Nate, e percebi que ele estava no banho. Peguei um copo de suco e me sentei pra esperar. Assim que ele acabou, nós saímos. Andando mesmo fomos até uma praça que tinha por ali. Ficamos aproveitando um pouco, mas aí eu me lembrei da tal surpresa e parei.
         – Ei, – segurei ele, rindo. – Qual era a surpresa?
         – Essa! – ele riu meio abafado.
         – Essa? – perguntei sem entender. Então, a surpresa era a pracinha? Não entendi mesmo. – Essa qual? – eu ri, ele me acompanhou. Fiquei o olhando sem entender, então ele pegou meu rosto com suas mãos e me virou pra olhar pro outro lado. Eu quase dei um pulo! Era o Kenny, o meu melhor amigo, o meu Kenny. Quase chorando de alegria eu o abracei bem forte.
         – Assim eu fico com ciúmes! – Nate disse, nós rimos. Nós três nos sentamos novamente naquele banco, e ficamos conversando. Contei pro Kenny como foi quando eu cheguei no Brasil, ele me contou como as coisas ficaram por lá. Me disse que o Nate ficou até meio deprimido. Eu ri, achei fofo. Enfim, o tempo passou e nós nem percebemos. Só fomos embora quando minha mãe me ligou preocupada. Quando cheguei em casa, Lucy e Harold apresentaram o Kenny pros meus pais. Eu não sei como, mas arrumaram um lugar pra ele dormir naquela casa. Depois de assistir um filme com Nate, Kenny, Jorge, Debby e Jéssica, eu fui dormir. 

43º (1)

18 de Dezembro de 2009
Chegamos na cidade perto da hora do almoço. Nem meus pais, nem meus tios podiam ir buscar eu e Jéssica na escola. Então ela foi com o Fabio, e eu preferi ligar pro Tomás.
         – Que saudade. – dei um abraço apertado nele, já faziam algumas semanas que a gente não se via. – Como tem se virado por aqui sem mim? – falei em tom de brincadeira. Ele riu.
         – Tenho uma coisa pra te contar Marininha. – ele falou. Eu fiquei meio desconfiada, não imaginava o que seria.
         – Então me leva pra almoçar, aí você me conta. Tudo bem? – sorri.
         – Claro! – assim ele fez. Pedi que parássemos em uma lanchonete, já estava com saudade de comer lanche. Nos sentamos e pedimos a comida, ele estava inquieto, batia os dedos na mesa freneticamente.
         – Nossa Tom, –  eu ri, meio nervosa. – Se é tão importante assim, fala logo vai. – eu já estava curiosa.
         – É que... Sabe... – nessa hora o celular dele apitou. Ele somente olhou e sorriu, deveria ser uma mensagem. Foi como se aquilo tivesse dado alguma força pra ele. Porque logo começou a falar normalmente, sem gaguejar nem nada. – Eu e aquela sua amiga, a Giovanna, estamos namorando! – ele sorriu vitorioso. Eu sorri junto, fiquei muito feliz por ele.
         – Nossa, isso é ótimo! – o abracei rapidamente. – Felicidades pra vocês! – ele agradeceu. Passamos o almoço inteiro conversando sobre ele e Giovanna. Depois ele me deixou em casa, me despedi dele e entrei. Não parecia ter ninguém, então eu fui direto pro meu quarto. Assim que abri a porta levei um susto.
 

42º

Cinco dias
Devo admitir que a viajem foi muito legal. Mais divertida do que eu esperava. Conhecemos todas as praias de Recife, lá os mares eram azulzinhos, diferente de qualquer litoral de São Paulo. Andamos por várias dunas, parques, fizemos um luau, e nos reuníamos sempre em rodinhas pra conversar. Também fomos em uma balada por noite, e comemos em vários restaurantes típicos. Conclusão: eu estava bronzeada, e muito, muito cansada. Não tive contato com ninguém de Campinas durante toda a viajem, nem com meus pais, com os preparativos para o casamento e tudo mais, eles não tinham muito tempo pra mim. Não que eu ligasse, eu sabia que era por uma boa causa então não dei bola. 

41º (3)

Ficamos ali por um bom tempo, até alguém abrir a porta. Sem bater... De novo.
         – Marina, meu pai vai levar a... – ela parou de falar quando viu o que acontecia ali. – Desculpa! – falou constrangida. – Mas é que já tá na hora de ir.
         – Ta bom, eu já vou. – ela logo saiu dali. Olhei pro Nate. – Depois disso tudo bem que eu queria ficar, mas já paguei a viajem, então...
         – Fica vai! Eu te reembolso! – eu ri alto.
         – Fica aqui até o casamento, ou... Ah, sei lá. Mas não vai embora não, logo eu volto! – o olhei, suplicando. – São só quatro diazinhos... – falei bem manhosa, na esperança que ele ficasse.
         – Tá bom, – ele riu. – Vou sentir sua falta, linda! – me beijou. Bom, não seria tão difícil assim pra quem ficou torno de três meses separados. Ele me ajudou a levar minha mala e colocar no carro do meu tio. Depois me despedi de todo mundo e fomos em direção a escola. De lá um ônibus nos levou ao aeroporto, e em mais ou menos três horas já estávamos em Recife. Já estava tarde e a turma estava cansada da viajem, então só paramos em um restaurante pra comer e depois fomos pro hotel. Lá cada um foi para seu respectivo quarto – homens eram separados de mulheres, então eu fiquei com Jéssica no quarto. Eu só arrumei minhas coisas ali, tomei um banho e capotei. 

41º (2)

         – Então me diz, o que foi que aconteceu? Porque podia ter dado certo, e você simplesmente desistiu. Não quis enfrentar a sua mãe, por quê? Você resolveu que não gostava de mim como falava, é isso?
         – Não. Eu não menti pra você. – ele me olhou, ainda nervoso. – É que... A Christine...
         – O que tem ela?
         – Ela me procurou, – ele se sentou do meu lado. – Me disse que estava grávida.
         – Grávida? – repeti incrédula. Ele assentiu. – Por que não me contou?
         – Eu queria ter certeza...
         – E teve?
         – É... – ele me olhou mais calmo. – Ela não está! – sorriu. Eu não sei bem o que senti na hora. Estava feliz por saber que ele realmente gostava de mim, mas não ia esquecer o que tinha acontecido. Meu intercambio foi horrível, sem contar Lucy, que nunca demonstrou o mínimo de compaixão por mim. – Você me perdoa pelo jeito que eu te tratei? Eu acabei descontando meu nervosismo em cima de ti, não devia ter falado aquelas coisas pra você. – ele me olhou como quem suplicava por algo. Foi quase impossível negar com aqueles olhos azuis em cima de mim.
         – Tá bom. – eu sorri derrotada. Em questão de segundos nós já estávamos a centímetros de distancia. Ele me segurou firme na cintura e aproximou seus lábios dos meus. Agora eu percebia quanta falta aquele beijo me fez. O gosto dele. O toque dele. Nossa! Como eu pude pensar que já não sentia mais nada por ele? Eu estava enganada, estava enganando a mim mesma. Mas agora ele estava comigo novamente, e nada poderia impedir. 

41º (1)

13 de Dezembro de 2009
E lá estávamos eu e Jéssica no meu quarto, repetindo o que foi feito a seis meses atrás. Ela sentando nas minhas malas e eu tentando fechá-las. Eu estava meio animada pra viajem. Jéssica iria junto com Fabio – eles namoravam. Então eu ficaria meio solta por lá, tentando me divertir com os colegas de classe.
         – E aí Má? Ta animada? – disse Jorge, entrando no meu quarto.
         – Sabe bater? – falei seca, sem olhar pra ele.
         – Tá bom, já percebi que alguém aqui está na TPM... – ele disse debochando.
         – Cala a boca Jorge! – Jéssica disse e saiu do quarto, o puxando. Sentei ali e terminei de guardar algumas coisas na minha bolsa, logo a porta foi aberta novamente.
         – Sai daqui Jorge! – eu disse sem olhar.
         – Eu já disse que não falo a sua língua. – estremeci ao ouvir a voz do Nate.
         – O que você quer? – o olhei.
         – A gente pode ter aquela conversa agora? – ele passou a mão no cabelo, nervoso. – Porque se não, quando você voltar de viajem eu já estarei em Atlanta. – isso quer dizer que se eu negasse, ele iria embora? E isso era bom, não era? Não. Quer dizer, eu não queria que ele fosse embora. Pelo menos foi o que pareceu, porque quando eu percebi, já estava conversando com ele.

40º

Uma semana
Foram um pouco conturbados. A presença dos Parker na minha casa me deixava sufocada. Mas principalmente e presença do Nate ali. Ver ele todos os dias na hora do café da manhã, me lembrava das caronas que ele me dava até a escola, tanto quando estávamos ficando, quanto quando éramos somente amigos, era tão bom começar o dia daquele jeito, era como se eu estivesse unindo minhas forças para enfrentar o dia que me esperava. E pior, ver Harold e Lucy ali me lembrava dos meus tempos nos EUA, inclusive de Kenny. Onde ele estaria agora? Eu estava com tanta saudade. 

39º

06 de Dezembro de 2009
Acordei cedo, tomei um banho e fui tomar café da manhã. Encontrei Nate na cozinha, fazendo o café da manhã, como de costume lá na casa dele.
         – Bom dia, Má! – ele disse sorrindo. E sinceramente aquilo me irritou. Aonde ele queria chegar sendo tão educado? Queria que eu simplesmente esquecesse tudo e o tratasse como um amigo? Não, eu não faria isso. Verifiquei se alguém estava por perto, e como eu já esperava, ninguém.
         – Por que você tá fazendo isso em? – perguntei indignada.
         – Isso o que? – ele respondeu da mesma forma.
         – Me tratando desse jeito. Aonde você quer chegar?
         – Na verdade, eu queria chegar a essa conversa! – ele sorriu vitorioso.
         – Hã? Não entendi.
         – Eu quero esclarecer as coisas, ficou tudo muito vago quando você foi embora.
         – Ah, quer saber por que eu fui embora? – ri ironicamente. – Por sua causa, seu imbecil. Sua mãe me incomodava, mas se você estivesse comigo eu até poderia agüentar e terminar meu intercambio. Mas não foi o que aconteceu! – eu já estava exaltada, e brava.
         – Eu tive um motivo pra isso. – foi só o que ele disse.
         – É, mas agora, que se danem seus motivos, eu já estou na minha casa e logo vocês também sairão daqui. – falei saindo dali. Essa conversa me deixou ofegante. Nós tínhamos ficado por quanto tempo? Um mês? Duas semanas? E isso foi tempo o suficiente pra me deixar assim. Ah meu Deus!
Na mesma hora eu fui acordar meu pai, com um pouco de dificuldade e muito papo furado, eu consegui um empréstimo dele. Eu precisava de férias mesmo. Me arrumei, fui até o banco de ônibus e tirei dinheiro o suficiente. Do banco para meu antigo colégio, fui caminhando. Conversei com o tesoureiro sobre a viajem, ele disse que tudo bem eu ir de ultima hora, porque alguém desistiu. Bom, acertei tudo para a viajem, seria em exatos sete dias. 

38º

Uma semana
Mais uma semana passou e os Parker, continuavam enfurnados na minha casa. Debby se conscientizou de que ela estava invadindo meu espaço, pois o tempo de intercambio já havia acabado, e se mudou para o quarto do meu irmão. Fazendo assim, com que eu voltasse pra casa e visse o Nate com mais freqüência, o que não era tão bom. Enfim, eu me formei! É, finalmente acabei o ultimo o ano do ensino médio. A formatura seria na próxima semana seguida da viajem, que duraria quatro dias e seria para Recife. Eu ainda não sabia se ia, porque não tinha pagado em parcelas e não queria que meu pai gastasse comigo, sendo que estavam gastando demais no casamento do Jorge. 

domingo, 4 de setembro de 2011

37º


Uma semana
Mais uma semana passou e os Parker, continuavam enfurnados na minha casa. Debby se conscientizou de que ela estava invadindo meu espaço, pois o tempo de intercambio já havia acabado, e se mudou para o quarto do meu irmão. Fazendo assim, com que eu voltasse pra casa e visse o Nate com mais freqüência, o que não era tão bom. Enfim, eu me formei! É finalmente acabei o ultimo o ano do ensino médio. A formatura seria na próxima semana seguida da viajem, que duraria quatro dias e seria para Recife. Eu ainda não sabia se ia, porque não tinha pagado em parcelas e não queria que meu pai gastasse comigo, sendo que estavam gastando demais no casamento do Jorge. 

36º (2)


Levantei da cama, ajeitei minha camiseta que estava meio erguida, soltei meu cabelo que estava em um coque e fui até a sala. Cumprimentei os três com um beijo na bochecha, sem muitas palavras, mas foi uma tortura. Depois me sentei por ali, esperando algo de bom acontecer, mas eles só ficavam falando de casamento, bebe, Jorge e Debby, aquilo já estava começando a me entediar. Fui até a cozinha com o intuito de pegar um sorvete, mas fui interrompida por uma voz um tanto conhecida.
         – Você continua linda. – disse Nate quase em um sussurro.
         – Vê se me erra! – falei em português, saindo dali. Mas ele me segurou pelo braço.
         – Eu queria conversar com você, – ele pensou um pouco. – Na minha língua de preferência. – sorriu torto.
         – Eu não tenho nada pra falar contigo, pode me soltar? – estremeci um pouco na hora de falar, mas sem motivo. Porque pra mim ele já era totalmente passado. Ele sem reclamar mais me soltou e eu terminei de pegar meu sorvete, indo pra sala. Chegando lá percebi que Jéssica estava conhecendo Harold e Lucy, sem falar nada me sentei no sofá.
         – Nossa. Esse tal de Nate é muito gostoso! – ela riu sozinha.
         – Achei que você tivesse com o Fabio... – falei vagamente.
         – E eu to! – ela falou mais alto. – Mas olhar não tira pedaço amiga! – riu sozinha de novo. Terminei de comer meu sorvete e chamei Jéssica pra ir embora, fomos sem rodeios. Em casa contei pra ela do ocorrido na cozinha de casa, ela ficou curiosa sobre o que ele ia dizer, mas logo esqueceu. Depois eu só tomei um banho e fiquei vendo TV até dormir. 

36º (1)

29 de Novembro de 2009
Mal abri a porta de casa, e já me senti arrependida de ter criado forças e ido verificar se a família Parker já havia ido embora. Até porque, me deparei com eles todos ali. E conversavam com meus pais como se fossem amigos de longa data. O pior de tudo, foi ver que Nate estava ali. Qual é? Ele também tinha vindo? O que eles queriam? Quando minha vida finalmente tinha ficado boa, tudo desmorona. Quando me viram ali, todos ficaram em silencio, como se eu tivesse tirando a diversão deles. Passei reto e fui até meu quarto. Sem pensar muito, entrei sem bater. Dei de cara com Debby deitada na minha cama, cheia de comida em volta e meu irmão do lado.
         – Ah, meu Deus. Eu esqueci completamente que vocês estariam aqui. Me desculpa? – perguntei constrangida.
         – Tudo bem Má, você deve estar confusa mesmo. – Jorge disse. – Senta aqui, pra gente conversar. – bateu na cama.
         – Estou mesmo. – me sentei. – Sem ofensas Debby, mas eu não estava esperando encontrá-los aqui. – me referia aos pais dela.
         – E eles não viriam se... – meu irmão ia falando, mas foi interrompido.
         – Eu não estivesse grávida! – Debby disse. Na hora eu me engasguei com a a própria saliva.
         – Como é que é? – perguntei com os olhos arregalados.
         – É isso aí que você ouviu Marina! – Jorge falou meio bravo. – E a gente vai se casar. – tudo bem, eu precisava raciocinar.
         – Por que eu só fiquei sabendo disso agora?
         – Ainda não era de certeza, mas quando vi que os exames deram positivos, a primeira coisa que eu fiz foi ligar pra minha mãe, e ela resolveu vir pra cá e me obrigar a casar, – ela pensou um pouco. – Não que eu não queira amor, – deu um selinho no Jorge. – Mas não sei se estou pronta pra enfrentar tudo isso.
         – Nossa Debby, eu nem imaginava isso. – não sabia o que dizer. – Se você precisar de qualquer coisa pode contar comigo, tá?
         – Tudo bem, obrigada. – ela sorriu. Ficamos conversando por um tempo, até baterem na porta. Era minha mãe.
         – Dona Marina, é bom você ir lá agora e cumprimentar a Lucy e o Harold com a educação que eu te dei. – ela disse em tom autoritário, deu até medo.
 

35º


Três dias
Foram necessários três dias para eu processar tudo aquilo. Enfim, depois desse período sem aparecer em casa, eu resolvi voltar, talvez Debby já tivesse ido embora com os pais e finalmente minha vida voltaria ao normal. É, isso é o que deveria acontecer. Oremos. 

34º (3)


Olhei pra piscina e vi Giovanna e Tomás se beijando. Se amassando mesmo! Eu dei risada e cutuquei a Jéssica pra ela ver também, ela ficou boquiaberta assim como eu. Depois me levantei e fui tomar uma ducha, como já estava ficando tarde eu sai de lá já de roupa e penteada, pronta pra ir pra casa. Mas, assim que voltei pra chamar a “galera”, encontrei Jéssica e Fabio aos beijos. Um casal, ok. Agora, dois? Eu me senti a pessoa mais carente do mundo ali. Bom, esperei eles terminarem, e avise que voltaria de ônibus mesmo, já que Tomás e Giovanna ainda não tinham se desgrudado, e ele que era o carona. Jéssica, meio constrangida, aceitou e disse que os avisaria. Então eu segui meu rumo. Fui pra casa numa boa, ouvindo musica. Tomei um banho de verdade, e coloquei uma roupinha fresca. Quando sai do banheiro, tomei um susto! Lucy e Harold realmente estavam ali. Quer dizer, eu esperava que eles fossem demorar pelo menos um dia. Mas não, estavam ali. Eu não sabia que reação ter, então não tive nenhuma. Simplesmente passei reto. Chegando na casa da Jéc, nem contei pra ela, só cumprimentei meus tios, comi algo e fui pra cama. 

34º (2)

         – O que foi Marina?  Jéssica perguntou estressada, após ser acordada por mim. 
         – Lucy e Harold, ao que tudo indica, eles estão a caminho do Brasil. – eu disse atordoada.
         – Fazer o que aqui? – ela se assustou.
         – Sei lá, buscar a filha talvez!
         – Nossa, o que sua mãe acha disso?
         – Eu sei lá, e nem quero saber. – estava realmente triste com ela.
         – Vai ver ela não disse nada porque eles não vão passar muito tempo aqui, e em respeito à Debby também... – a interrompi.
         – Que seja! – olhei em volta. – O dia tá bonito. Vamos pro clube! – a puxei pelo braço.
         – Tá, liga pra galera. – eu ri.
         – Que galera? – eu e Jéssica éramos meninas de poucos amigos, na verdade, só tínhamos colegas.
         – Ué, – ela riu. – Tomás e Giovanna!
         – Ah tá, - eu ri. – Grande galera! – eu liguei pra eles, que já estavam lá em meia hora. Chegaram juntos, achei estranho, mas não comentei. Bolsas prontas, tudo certo, primeiro almoçamos todos na minha casa e depois em direção ao clube. A tarde estava realmente divertida! Meu tom de pele ficou três vezes mais escuro. Ah, amei. Jogamos sinuca, fomos na piscina, jogamos vôlei dentro dela, e depois eu e Jéssica fomos tomar sol. Um garoto se aproximou.
         – E aí meninas! – ele cumprimentou Jéssica com um beijo na bochecha e eles logo começaram a conversar. Senti que eles já se conheciam, então nem me intrometi.
         – Marina... Marina? – ouvi alguém chamando a minha atenção.
         – Oi, fala! – eu disse, e depois ri de mim mesma.
         – Deixa eu te apresentar o Fabio, ele se mudou da capital pra cá um pouco depois que você viajou. – ele sorriu, e depois eu me apresentei. Ele se sentou do nosso lado, e eu comecei a olhar as pessoas que estavam pelo clube

34º (1)

26 de Novembro de 2009
Acordei com uma sensação estranha, sei lá, um aperto no peito. Ignorei isso e fui tomar um banho, saí de lá com um shortinho jeans, uma regata azul e uma rasteirinha. O dia estava muito quente! Prendi meu cabelo em um coque, e fui tomar café da manha e, fui sozinha até minha casa. Chegando lá a família estava reunida na sala, meu pai falava no telefone e os outros estavam quietos, na verdade, inquietos. Meu irmão dava tapinhas seguidos nas pernas de Debby, que não parava um segundo sequer de mexer no cabelo. Eu dei uma risadinha baixa e me manifestei.
         – Oi, família! – me sentei. Ninguém respondeu, Jorge apenas fez sinal para que eu ficasse quieta.
         – Eles vêm! – meu pai disse quando finalmente desligou o telefone. Ninguém pareceu ficar animado com isso. Mas eu estava boiando ali.
         – Eles quem? – perguntei.
         – Meus pais. – caiu uma lagrima dos olhos dela, que logo foi recebeu um abraço do meu irmão, e correspondeu. Senti minhas pernas ficarem meio bambas, como minha mãe deixaria pessoas que me trataram tão mal se hospedarem em minha casa? Ela pareceu não querer tocar no assunto àquela hora, então eu voltei pra casa da Jéssica, e ela estava no banho. Assim que ela saiu a chamei pra conversar.

33º

25 de Novembro de 2009
Acordei cedo e tomei um bom banho. Coloquei uma calça jeans e a camisa do uniforme, que era obrigado a usar. Calcei um vans, fiz uma maquiagem leve, e coloquei uma tiara puxando meu cabelo pra trás. Peguei minha bolsa e fui pra cozinha. Meus tios já estavam tomando café.
         – Bom dia dona Marina!
         – Bom dia tio Gláucio! – sorri.
         – Você parece animada, o que há mocinha?
         – Ah tia, – pensei um pouco. – Nada demais! – sorri. Ficamos conversando sobre os atrasos constantes da Jéssica enquanto tomávamos café. Quando finalmente ela apareceu e terminou seu café, meu pai nos deu carona pra escola. As aulas já estavam no fim, íamos só pra fazer os exames finais. Depois voltamos pra casa de ônibus e almoçamos correndo, já que 13h a Giovanna estaria no aeroporto. Como a única família dela aqui, era a avó que já era de idade nós poupamos a senhora de ter que ir buscar a bendita no aeroporto. Tomás nos deu carona, chegando lá o avião atrasaria de 20 a 30 minutos, mas nós nem percebemos porque ficamos conversando o tempo todo.
         – Marina, que saudade! – fui surpreendida por um berrinho estridente, acompanhado de um abraço da Giovanna.
          – Esses são Jéssica e Tomás! – ela cumprimentou os dois, e depois saímos do aeroporto. Giovanna por incrível que pareça levava só uma mala. E ficava toda hora reclamando de fome, então resolvemos parar pra comprar algo pra ela comer. Três pacotes de salgadinhos e uma garrafinha de refrigerante, ela acabou com tudo em mais ou menos meia hora. Foi até engraçado!

Passamos o resto da tarde juntos, levamos a Giovanna pra ver a avó e depois fomos na casa do Tomás. Assistimos um filme, depois fomos cozinhar. Digo, tentar cozinhar. Quando terminamos de comer, Tomás levou eu e Jéc pra casa, em seguida Giovanna. Assim que cheguei em casa pude notar Debby conversando em inglês no celular, em um canto da cozinha. Fui tomar água e deu pra ouvir um pouco da conversa.
Eu não estou negando mãe, é que...” – então ela parou de falar e começou a chorar baixo. Fiquei preocupada, pois sabia do que Lucy era capaz. Eu sofri na mão dela. Bom, não quis me intrometer na vida da menina, então fui logo pra casa da Jéssica e depois de um banho demorado, eu dormi. 

32º


Duas semanas
Durante toda a semana eu mantive contato com Tomás, ele havia se mudado de volta para Campinas, o que me deixou muito feliz. Além disso, Debby iria embora na próxima semana, e isso significava: Adeus EUA, nunca mais apareça em minha vida! Bom, eu estava feliz por isso. Meu irmão nem tanto, ele resolveu que iria passar o final das férias lá, com ela. Parece que Lucy deixou numa boa. Além disso, Giovanna entrou em contato comigo, dizendo que estava voltando para o Brasil. Ela concluiu a faculdade lá, e como havia terminado com o namorado resolveu voltar.
Minha vida estava bem melhor! Tinha meus pais por perto, alem do meu irmão, minha melhor amiga e meus tios, que sempre foram como os segundos pais. Tomás havia voltado a minha vida, e ele preenchia o grande vazio que Kenny deixou, ele era um grande amigo. Nate, Lucy e Harold já haviam sido apagados da minha memória, pelo menos durante o dia. A única coisa que me fazia falta era Kenny, mas eu ia ter que superar uma hora ou outra. 

PERSONAGEM:




Tomás - Brasileiro, 22 anos. Lindo, trabalha como modelo nas horas vagas e e ajuda seu pai a comandar os negócios da família na Argentina.

31º

05 de Novembro de 2009
         – Abriu um restaurante novo no shopping do centro, vamos lá! – Jéssica tentava me puxar pra almoçar com ela, eu não estava entendendo o porque se tinha comida me esperando em casa.
         – Mas Jéc...
         – Mas nada, vamos logo Má! – fomos de ônibus até o shopping mais próximo da nossa escola. Fomos até a praça de alimentação e ela pediu que eu esperasse ali, enquanto ela ia ao banheiro. Fiquei sentada olhando as pessoas em volta, quando minha visão é tapada por duas mãos quentes. A principio eu percebi que conhecia aquele cheiro de algum lugar, mas quando ouvi a voz não tive duvidas.
         – TOMÁS! – o abracei forte. Já fazia quase um ano e meio que a gente não se via. Estava com saudade!
         – Oi Má! – ele sorriu.
         – Isso foi, sei lá, combinado? – eu ri.
         – Foi, – ele deu risada. – Pedi pra Jéc te trazer aqui! – eu somente sorri.
         – Pronto? – ela perguntou impaciente. – Agora trate de me dar carona pra casa senhor Tomás! – nós rimos.
         – Tudo bem meninas, vamos! – saímos do shopping ainda conversando, na verdade fomos o caminho inteiro conversando. Os meus pais convidaram Tomás pra almoçar, ele não é bobo nem nada aceitou. Depois fui tomar um banho e Jéssica foi fazer o mesmo na casa dela. Quando estávamos prontas, saímos com Tomás novamente. Fomos direto pro apartamento que ele tinha em Campinas.
         – Que lindo! – eu disse pegando o violão de dentro da capa. – Você ainda guarda essa velharia. – nós rimos.
         – Ei, velharia não! – então ele pegou o violão da minha mão, assoprou um pouco da poeira e se sentou com ele no colo. 

(http://www.youtube.com/watch?v=tmnQY9_KYOI&feature=related)

Depois da musica eu fiquei eufórica, ele ainda cantava super bem e tocando junto. Foi tão fofo. Na mesma hora pedi pra ele me ensinar umas notas, assim ele fez. Ficamos umas duas horas só tocando violão e cantando, nós três. Foi super divertido! Já era quase 18h quando Tomás nos levou de volta, ele perguntou se a gente não queria ir em uma balada, então chamamos Jorge e Debby, nos arrumamos e fomos. Eu e Jéc chegamos as 5h da manhã na casa de Tomás e acabamos dormindo lá. Estávamos cansadas de mais até pra se mexer. 

sábado, 3 de setembro de 2011

30º


Duas semanas
Aos poucos minha vida foi voltando ao normal. Jorge e Debby ajudaram eu e Jéssica com a minha “mudança” pra casa dos meus tios, e eu já estava instalada lá. Minha mãe refez a matricula no meu antigo colégio, no qual eu terminaria de cursar o ultimo ano do ensino médio. A única lembrança que eu tinha dos estados unidos, eram as fotos que tirei com meus amigos. E a saudade, claro. Saudade dos meus amigos e do Kenny, somente, eu já não pensava tanto em Nate, muito menos nos pais dele. Debby iria embora em pouco menos de um mês, e apesar de estar feliz por ter meu quarto de volta, eu estava sentida pelo meu irmão, parecia que ele realmente gostava dela. 

29º (2)

Passamos o resto da tarde conversando, assistindo séries e brincando uma com a outra. Quando escureceu, eu já estava um zumbi ambulante. Mas não poderia dormir no meu quarto, então não estava tão animada pra ir embora.
         – Faz o seguinte, amiga, trás suas coisas pra cá, e fica aqui em casa até a Debby ir embora! – Jéssica sempre resolvendo meus problemas.
         – Que ótimo, obrigada amiga! – sorri. – Mas amanhã, ok? Esse fuso horário está acabando comigo, preciso dormir. – ela riu.
         – Ok. Vamos aproveitar que amanha é domingo e agente faz a sua mudança! – ela foi falando e me empurrando pra fora de casa.
         – Eu em, já enjoou de mim? – nós rimos.
         – É que eu não agüento mais te ver bocejar! – depois nos despedimos e eu fui pra casa. Me sentei pra comer com meus pais, meu irmão e Debby. Depois tomei um banho quente, coloquei pijama e deitei no sofá cama. Dormi em menos de um minuto.

29º (1)

19 de Outubro de 2009
Acordei e fui direto tomar um banho. Lá nos EUA, essa época do ano já estava começando a esfriar, ao contrário do Brasil, que esquentava cada vez mais. Coloquei um shortinho jeans e uma regatinha azul, calcei uma rasteirinha e prendi meu cabelo em um coque. Quando estava pronta, meus pais ainda estavam acordando. É, teria que me acostumar com o fuso horário novamente. Tomei um café da manhã reforçado, e me sentei pra ver TV. Quando deu 11h, eu sai de casa correndo, estava totalmente inquieta. Bati na porta vizinha e quando Jéssica atendeu, eu pulei em cima dela.
         – AMIGA! – berrei mesmo.
         – Que saudade louca cara! – ela disse rindo, me apertando forte.
         – Eu tenho tanta coisa pra te contar, ah! – eu disse abraçando ela de novo.
         – Eu também tenho, ah! – nós rimos. Depois eu entrei, meus tios me convidaram pra almoçar lá, eu aceitei. Durante o almoço contei pra eles sobre como era lá em Atlanta, os poupei dos detalhes é claro.
         – Agora vem cá amiga, você tem muita coisa pra me contar. – Jéssica piscou e me puxou pro quarto dela. Eu contei os acontecimentos recentes lá em Atlanta, também gastei um bom tempo falando sobre Nate. Já não havia mais nada nele que eu pudesse chamar de bom – alem da beleza, é claro. Mas mesmo assim eu ainda gostava dele. O que me atraia? Bem, não sei.

28º


18 de Outubro de 2009
Depois de uma viajem cansativa, o avião aterrissou no aeroporto de Guarulhos em São Paulo da onde eu nunca deveria ter saído. Com muita dificuldade e ajuda de alguns homens que trabalhavam pela companhia do avião, eu consegui pegar minhas malas e ir até o desembarque. Meus pais já me esperavam, junto com Jorge e Debby. Eu corri ao encontro da minha mãe, a abracei forte e até chorei um pouco. Depois fiz o mesmo com meu pai, e meu irmão. Cumprimente Debby, e depois fomos pra casa. Já eram 22h, mas eu estava com um pouco de fome, então paramos no mc. Como Debby estava usando meu quarto, eu dormi na sala aquela noite. Eu não ia tira-la de lá, sendo que ela pagou pelo intercambio. 

27º (3)


Depois disso ele me ajudou a levar tudo lá pra baixo. Enquanto esperava meu instrutor chegar eu me despedi de Lucy e Harold do modo mais frio possível, apenas agradecendo pela estadia, e me desculpando por qualquer incomodo. Nate só ficou me olhando, sentado no outro sofá. Quando a campainha tocou, eu impedi que o instrutor entrasse, não queria que ele visse aquele clima. Kenny nos ajudou a colocar as malas dentro do carro, mas antes que eu pudesse entrar pra irmos pro aeroporto, ouvi Nate me chamando da porta da casa. Eu mal me aproximei, e ele me surpreendeu com um abraço apertado. Ficamos nos abraçando por um tempo, e depois eu me soltei dele, sem nenhuma palavra. Voltei pro carro e meu instrutor me levou pro aeroporto. Ele mesmo fez o Check In e me levou até a sala de embarque. De lá eu mandei uma mensagem pros meus pais, dizendo que logo estaria embarcando. 

27º (2)

O que era pra ser a realização de um sonho, acabou se tornando um pesadelo, e o que eu mais queria agora era voltar pra casa. Meus pensamentos foram interrompidos pela porta se abrindo, era Kenny. 
         – Ei, linda! – me cumprimentou como sempre. Meus olhos ficaram cheios de lagrima. Kenny era a melhor coisa que eu levaria do intercambio. Uma irmandade que conquistei em tão pouco tempo. Era uma pena que tivesse que acabar assim!
         – Oi Kenny, – sorri – Eu queria te falar algumas coisas antes de ir embora.
         – Pode falar! – ele sorriu e se sentou do meu lado.
         – Você é com certeza uma das melhores pessoas que já conheci, e agradeço por isso todos os dias. – deixei a emoção me levar, já nem pensava antes de soltar as palavras. – Na verdade, quando eu cheguei você me ajudou muito a me adaptar, e ir embora sem você não vai ser fácil, porque eu já havia me acostumado com a sua presença, as suas piadinhas, os seus carinhos... Enfim, eu só quero dizer que vou sentir sua falta. Muita. – as lagrimas já escorriam, ele as limpou e me abraçou.
         – Eu também vou sentir sua falta, Má! Saiba que eu sinto o mesmo, te conhecer foi muito bom, e eu nunca vou te esquecer bobinha. – ele apertou meu nariz. E eu o abracei novamente.
         – Eu te amo!
         – Eu também te amo!

27º (1)

17 de Outubro de 2009
Acordei, tomei uma ducha, coloquei uma calça jeans, uma blusa de maguinha e um vans. Deixei meu cabelo solto, e fiz uma maquiagem leve. Desci pra tomar café, e fui pra escola de ônibus sem trocar nenhuma palavra com ninguém daquela casa. Chegando na escola fui até a secretaria, ao encontro do meu instrutor de intercambio. Lá ele retirou minha matricula na escola, e assinou a minha autorização de volta para o Brasil. Depois assisti os horários de aula que iam até o almoço. Antes de almoçar fui até meu armário e peguei todas as minhas coisas, levei a chave na secretaria do colégio e desci para almoçar.
         – Você vai fazer falta por aqui, Má! – Ryan disse com semblante triste.
         – Eu também sentirei falta de todos vocês, – Mas vai ser melhor assim. – sorri torto. Almoçamos normalmente e depois nos despedimos, levamos meia hora nisso. Depois de me despedir de outros colegas que fiz nesse meio tempo, eu voltei pra casa de ônibus. Chegando em casa Kenny estava almoçando com o resto da família Parker, entrei sem falar com ninguém e fui direto pro meu quarto.
Liguei o notebook e deixei algumas musicas rolando enquanto pegava minhas coisas. Tirei tudo do banheiro, como cremes, xampu, condicionador, sabonetes, escovas de dente, pente... Depois tirei minhas roupas do guarda roupa, uma a uma, com cuidado. As dobrei e fui colocando na mala, depois guardei os cabides do jeito que encontrei quando cheguei a três meses. Tirei meus aparelhos eletrônicos, juntei as coisas da escola, sapatos e outros acessórios, colocando em outra mala. Quando terminei de juntar tudo, fiz uma faxina reforçada no quarto e no banheiro, deixando-os brilhando! Quando terminei tudo, coloquei as malas perto da porta e me sentei na cama, pra dar uma ultima olhada no lugar.

26º


Uma semana
Depois de conversar com minha mãe, ela conversou com meu pai e eles compraram minha passagem de volta. Ao contrário de Debby que ficaria na minha casa até o fim do intercambio. Conversei com Harold sobre minha volta ao Brasil, ele também achou que seria melhor por conta de tudo que estava acontecendo. Ah, Kenny não gostou muito da noticia, mas era o melhor a fazer. 

25º (2)


Fui até o ponto de ônibus mais próximo, e esperei uns 20 minutos ate passar o próximo ônibus. Quando cheguei em casa já estava morrendo de fome, mas a casa estava vazia. Eu fiz um lanche pra mim e comi rapidamente, depois limpei toda a cozinha e subi. Tomei um banho muito demorado, pra tirar o cansaço, misturado com dor de cabeça, resto de bebida e tristeza. Sai de lá com uma calça de moletom e uma regatinha branca, coloquei um roupão de pano e fui pra internet. Não tinha ninguém útil online, então eu usei meu celular pra ligar pra minha casa no Brasil.
         – Alô pai? – perguntei rápido, não queria gastar muito.
         – Oi filha, estava dormindo... – o interrompi.
         – Pai, acorda o Jorge e fala pra ele entrar no Skype, diz que é urgente!
         – Tá bom filha, beijos, estou com saudade.
         – Eu também pai. Beijo. – desliguei. Demorou uns 15min pro Jorge entrar, mas assim que ele entrou expliquei toda a situação pra ele. Passei quase uma hora inteira falando. Ele concordou comigo que o melhor a fazer era voltar pra casa, então ele acordou minha mãe e nós dois conversamos com ela. Confesso que fiquei um pouco triste de desistir assim, mas eu já não podia fazer mais nada. Depois disso, como já estava tarde, eu só arrumei meu quarto e capotei. 

25º (1)

10 de Outubro de 2009
Acordei em um quarto estranho, mas minha cabeça doía demais pra eu me localizar. Esfreguei os olhos inúmeras vezes, até conseguir identificar a pessoa que estava sentada na ponta da cama. Era o Nate!
         – Ei, – chamei com a voz rouca. – O que aconteceu?
         – Você apagou na festa! – ele disse virando pra mim. Ele não parecia preocupado.
         – Cadê o Kenny?
         – Sei lá cara. – ele deu um murro na cama.
         – Meu Deus Nate, você tá insuportável nos últimos dias... O que eu te fiz em? – minha voz já estava exaltada, e por alguns minutos eu esqueci a dor na cabeça.
         – Ah, quer saber o que você fez? – ele riu nervoso. – Nasceu, caralho! – ele estava com os olhos vermelhos de raiva, e eu já estava ficando assustada. – Ou melhor, você nascer não foi o problema, o problema foi você ter saído do seu país e ter vindo pra cá me infernizar!
         – Então... – segurei algumas lagrimas intrusas. – Você quer que eu vá embora?
         – Demorou pra perceber em? – foi o que ele disse antes de sair batendo a porta. Me senti muito mal depois disso. Minha cabeça começou a latejar junto com meu corpo. Fiquei deitada por alguns minutos, e depois me levantei. Minha bolsa estava em cima da estante, no meu celular marcava 16h. Fui até o banheiro e lavei o rosto demoradamente. Quando sai do quarto me deparei com uma bagunça horrível, Kenny e Julie dormindo no sofá, seminus.
         – Kenny? – o cutuquei.
         – Fala... – ele disse sonolento.
         – Vou pra casa, é... – pensei um pouco. – Passa lá mais tarde pra gente se despedir! – dei um beijo na bochecha dele e sai.
 

24º (2)

         – Ei, Nate! – chamei quando ainda estávamos no caminho de casa. – O que aconteceu com você em? Nunca mais falou comigo... – fui interrompida.
         – Que diferença faz? – ele deu uma risada forçada. – Nós nunca fomos amigos mesmo. – estacionou o carro e desceu sem mais nenhuma palavra. Aquilo foi cortante, por mais que ele estivesse sendo um grosso, minha saudade aumentava a cada dia, junto com meu sentimento por ele.
Desci do carro e sem falar com ninguém fui direto pro banho. Depois passei hidratante, coloquei uma saia alta de couro preta e uma regata branca, um sapato meia pata rosa choque e um bolero cinza. Coloquei uma corrente fina, e umas pulseiras, passei perfume e peguei minha bolsa. Quando voltei pra sala Nate já estava pronto e me olhou dos pés a cabeça. Eu sorri ao perceber isso. Ele me levou de volta pra casa do Kenny, quando já estava escuro. A festa já tinha começado, tinha musica alta, luzes coloridas e muita gente, inclusive Tina, Ryan e Carol. Eu liguei pra Giovanna mais cedo, e pedi pra ela me encontrar lá. Assim ela fez!
A festa começou ótima, eu apresentei meus amigos uns aos outros, nós ficamos dançando e nos divertindo, enquanto Kenny embebedava a mim e Julie, nós riamos muito uns dos outros e quando vi no relógio na parede que já eram 3h da madrugada, eu já estava muito bêbada. Fui caminhando com dificuldade até a ponta da escada, onde me sentei com a cabeça baixa, doendo um pouco, logo tudo apagou.
 

24º (1)

09 de Outubro de 2009
Acordei com Kenny pulando em cima de mim. Nossa quanta falta ele me fez. Eu sorri ao ouvir a voz dele.
         – Bom dia Kenny! – disse sorrindo. – PARABÉNS! – berrei o abraçando.
         – Bom dia, linda! Obrigada. – ele me disse carinhosamente. Ao me sentar na cama, pude notar que Nate estava na porta observando tudo. Não falei nada. – Ei, – ele virou meu rosto para que eu pudesse olhá-lo. – Vai lavar essa cara, porque o Nate fez um café da manhã do bom hoje! – ele piscou. Ah, então era o Nate que sempre fazia aqueles cafés da manhã tão bons.
Fiz minha higiene no banheiro, depois desci e tomei café da manhã com toda a família, incluindo Julie. Depois assistimos algumas séries na TV, e quando já estava perto do meio dia fui tomar um banho. Coloquei um short jeans claro e curto, uma meia calça preta, uma bota preta, uma blusinha branca e um casaquinho de malha. Passei perfume e peguei minha bolsa. Saímos nós quatro de carro, com Nate dirigindo. Fomos a um restaurante qualquer e almoçamos. Eu, Julie e Kenny não paramos de conversar um minuto sobre a festa e tudo mais, enquanto Nate não abriu a boca.
Depois fomos pra casa do Kenny, era muito parecida com a do Nate, na verdade só mudava a decoração dos cômodos, o bairro e as cores. Passamos a tarde arrumando a casa, com a decoração e tudo mais. Eu e Julie fomos a uma padaria e compramos um bolo e refrigerante, pra comemorar antes da festa. Cantamos os devidos parabéns e desejamos muitas coisas boas pro Kenny, nos divertimos fazendo isso. Quando terminamos eu e Nate voltamos pra casa, pra eu me arrumar

23º


08 de Outubro de 2009
         – Pra falar a verdade, eu não queria nem sair desse carro! – falei pro Ryan, que tinha me dado uma carona até minha casa.
         – Então não sai! – ele riu.
         – Se a Lucy deixasse, eu ficava mesmo. – sorri. – Bobo! Tenho que ir. – me despedi dele, e entrei. Chegando em casa Harold estava no trabalho, e Nate na faculdade. Lucy me pediu, ou melhor, mandou que eu arrumasse a casa, eu fiz o que ela mandou, durou mais ou menos uma hora. Depois fui pro meu quarto e fiz meus deveres de casa, aproveitei pra estudar um pouco. Já estava escurecendo quando fui pro banho, sai de lá de roupão e fui pro quarto, enquanto passava hidratante bateram na porta.
         – Entra! – falei em tom alto.
         – Como vai gatinha? – era o Kenny.
         – KENNY! – berrei e pulei no colo dele. – Como você tá? – sorri sem jeito, descendo do colo dele. Ele riu.
         – Muito bem! – fechou a porta atrás de si. – Já falei com Harold, e vou te roubar esse fim de semana. – ele piscou.
         – Como assim? – eu ri.
         – Amanhã é meu aniversário, e eu vou dar uma festinha lá em casa! – sorriu mordendo o lábio. – E você dona Marina, – falou meu nome perfeitamente. – É minha convidada de honra! – sorriu, na mesma hora eu dei um abraço nele.
         – Nossa, vai ser incrível. Faz meses que não vou a uma festa! – sorri largo.
         – Então tá, descansa bem porque amanha eu vou te acordar cedo pra gente ir lá pra casa.
         – Boa noite Kenny! – disse dando outro abraço nele.
         – Boa noite linda. – depois que ele saiu, eu terminei de colocar meu pijama, deitei e dormi rapidamente. Mais feliz dessa vez, por conta da visita que havia recebido. 

22º


Uma semana
Uma semana passou. Essa foi um pouco melhor, pelo fato de Kenny ter acordado e tomado alta alguns dias depois. Ele foi pra casa dos pais dele, o que me entristeceu um pouco, mas era o melhor pra ele. Eu peguei Jéssica online no Skype e passamos quase duas horas conversando, isso me deu forças pra continuar. Já que minha vida com a família Parker só piorava a cada dia, Harold já não era tão educado comigo, porque quando ele era, Lucy e ele discutiam. Lucy me humilhava, e as vezes me fazia de empregada. Nate mal olhava pra minha cara, e quando resolvia me dirigir uma palavra era com muito desgosto. 

21º (4)


         – Vem aqui me dar um abraço, linda! – ele abriu os braços.
         – Tenho medo de te machucar. – eu disse passando a mão no rosto dele.
         – Eu tenho certeza que você não vai me machucar. – me puxou pra um abraço apertado. Tomei o maior cuidado pra não machucá-lo, mas estava com tanta saudade.
         – Kenny, estava muito preocupada, você não faz idéia da falta que me fez! – eu chorava.
         – Pois pra mim foi como uma noite mal dormida. – ele riu.
         – As coisas estão tão difíceis sem você! – eu o abracei novamente.
         – Como assim difíceis? Quando eu te deixei as coisas iam bem...
         – Ah Kenny, não vou encher a sua cabeça com mais problemas, mas vê se volta pra casa logo, tá?
         – Vou tentar! – ele sorriu lindamente.
         – A Lucy quase não me deixou vir te ver, ela me mata se eu demorar. – sorri torto. Eu sabia que ele entenderia. Me despedi dele com mais um abraço apertado e voltei pra sala de espera. Lá já estavam os pais do Kenny e Julie.
         – Como ele está? – ela me perguntou com lagrimas nos olhos.
         – Agora está bem! – sorri e a abracei. Depois que todos viram o Kenny, nós voltamos pra casa. Eu só coloquei um pijama e dormi. 

21º (3)

Cheguei em casa já estava escurecendo. Harold e Lucy estavam brigando, e Nate bebendo. Preferi não comentar as cenas. Subi direto, e quando ia entrar no banheiro pra tomar uma ducha, bateram na porta. Era Lucy.
         – Nós vamos ao hospital ver o Kenny! Se quiser ir, esteja pronta em cinco minutos. – a tarde foi cansativa, mas como eu queria saber como o Kenny estava eu só peguei meu casaco e minha bolsa e desci. Logo chegamos ao hospital, Nate já estava meio bêbado.
         – Vocês vieram ver o paciente Kenny Parker? – perguntou a enfermeira.
         – Sim. – eu mesma disse aflita.
         – Um de cada vez, quem vem primeiro? – ela perguntou.
         – Vocês se importam se eu for primeiro? – perguntei.
         – É claro que você não... – Lucy ia dizendo, mas Harold a interrompeu.
         – Pode ir, Má! – eu somente o agradeci e acompanhei a enfermeira até o quarto. Kenny finalmente tinha acordado. Quando me viu ele abriu um sorriso, e eu não contive as lagrimas.
 

21º (2)

         – Pode ir aproveitar seu domingo, Má. – ele disse com pena no olhar. – Eu assumo por aqui! – disse tirando o avental de mim.
         – Obrigada! – sorri saindo dali. Fui até meu quarto e tomei um banho demorado. Coloquei uma calça jeans, uma blusinha branca e uma bota de montaria preta. Prendi meu cabelo em um rabo alto, e fiz uma maquiagem básica. Liguei pro celular da Giovanna, e combinamos de ir ao shopping, pra relaxar. Logo ela passou com seu carro, avisei o Harold que ia sair e fui.
Fomos ao cinema ver uma comedia. Rimos até. Eu não precisei de ajuda em nenhuma fala, até porque já falava inglês como uma verdadeira americana, tinha até o sotaque da Geórgia. Depois paramos em uma daquelas lojinhas convencionais, que tem acessórios e essas coisas. Começamos a experimentar tudo e colocar uma na outra.
         – Vem cá, Gi. – falei tirando a maquina da bolsa. Tiramos varias fotos diferentes, fazendo caras e bocas, com chapéus, tiaras e outros acessórios mais. Saímos da loja com uma bolsa cada uma, e fomos almoçar. O restaurante era especializado em comida brasileira, o que foi muito bom pra nós duas. Depois fomos comprar coisas de verdade, roupas e sapatos! Foi mega divertido, a
Giovanna alem de ser brasileira, gostava tanto de compras quanto eu. 

21º (1)

01 de Outubro de 2009
Acordei com o barulho da Carol pelo meu quarto. Sim, ela havia dormido lá, mas Harold disse que não tinha problema, então não liguei muito.
         – Bom dia, Má! – ela disse quando me viu abrir os olhos. – Desculpa te acordar, mas é que minha mãe já está me esperando aí fora.
         – Por que tão cedo? – perguntei rindo dela.
         – Tenho missa. – ela disse com uma cara de tédio.
         – Então tá! – eu ri abafado. E me levantei. Fui ao banheiro e coloquei um roupão de pano, prendi meu cabelo em um coque, lavei o rosto e escovei os dentes. Ela se despediu de mim, e foi embora. Desci pra tomar café, na mesa estava Harold, Lucy e Nate. Ninguém me deu bom dia, não liguei muito. Comi umas panquecas que tinham lá, não sei como, porque ninguém cozinhava naquela casa e agente sempre comia comida pronta, o que me fazia sentir mais falta do Brasil. Tomei um gole de suco e me levantei, todos ainda estavam na mesa, conversando sobre alguma coisa. Coloquei a louça que sujei na cozinha e fui lavar. Um pouco antes de eu terminar Lucy se levantou e jogou a louça que ela sujou ali também.
         – Lave isso! – ela mandou, pela primeira vez. – E espere eles acabarem, pra lavar o resto da louça do café da manhã. – eu não respondi. Só terminei de lavar, e sentei na mesa, esperando eles acabarem.
         – Como tá o Kenny? – perguntei pro Harold.
         – Parece que o estado dele melhorou um pouco, vou hoje mesmo no hospital conferir! – ele disse sorrindo fraco. Sorri na mesma hora. Era bom saber que ele tinha melhorado! Quando Nate terminou, ele fez o mesmo que a mãe, jogando tudo na louça e saindo sem falar nenhuma palavra. Lavei a louça dele, e sentei esperando Harold acabar.

20º


Mais uma semana
Kenny continuava na mesma situação. Como Harold era o único que me dava um mínimo de atenção naquela casa, Lucy já nem olhava na minha cara. Eu já tinha me conformado que ela não me queria ali, mas eu havia pagado por aquele intercambio, e não ia desistir assim do sacrifício dos meus pais por mim. Meu irmão e Debby assumiram o namoro, ao contrário do que fez comigo e Nate, Lucy aceitou normalmente, e eu fiquei feliz por Jorge. Ah, Nate já não me dava nem um bom dia, e eu não conseguia entender o porque dele não ser nem meu amigo, já não sabia se era por conta de Lucy, ou se era uma escolha própria dele. 

19 º


Uma semana
Foi o curto tempo que Debby e Jorge ficaram em Atlanta. Kenny não acordou, não falou, não se mexeu... Ninguém sabia se ele voltaria à vida, ou não. Isso me matava por dentro. Lucy era cada vez mais rígida comigo, Harold tentava concertar, mas não adiantava muito. Ver Nate todos os dias sem mal poder falar com ele, era ruim demais pra mim. Meus amigos da escola me davam força, Jéssica também me mandou uns emails de consolo e conversei com meus pais no Skype algumas vezes, isso além de Giovanna, que veio me ver novamente, já estávamos ficando mais amigas. 

OUTROS PERSONAGENS:



Carol - Americana, 16 anos, amiga de Marina.









Tina - Americana, 14 anos, amiga de Marina.













Ryan - 17 anos, americano, amigo de Marina.