quarta-feira, 31 de agosto de 2011

4º (3)


Foi reconfortante escrever pra Jéssica. Respirei fundo e atualizei minhas outras redes sociais. Logo depois fui tomar um banho, já tava ficando tarde. Coloquei um pijama bem fresco e desci. Lá estava Kenny só de samba canção apanhando para as panelas.
         – Ei, quer uma ajuda? – eu ri.
         – Por favor! – ele disse nenhum pouco constrangido. Ajudei-o a preparar uns lanches, como tudo lá em Atlanta, foi bem cheio de calorias. Pão, maionese, hambúrguer, mortadela, ovo frito, queijo derretido, tomate e alface. Fizemos quatro, vai que os outros dois também quisessem, não é? Pegamos refrigerante e voltamos pra sala. Nate e Christine finalmente calaram a boca, pelo menos enquanto elas estavam cheias de comida. Ah, e claro, ignorei alguns comentários da Christine sobre a legenda, ela não merecia minha atenção com toda aquela chatice. Quando acabou o filme fui direto pra cama.

4º (email)


De: marebello@hotmail.com
Para:
jectorres@hotmai.com
JÉC, QUE SAUDADE! Então, deixa eu te contar o que aconteceu por aqui.
A minha “família postiça” até que é legal, tipo, Harold e Lucy, os “pais”, são bem de boa, descontraídos, sabe? Me fizeram sentir em casa! Mas nem tudo são flores, o filho mais velho deles, o Nate, é um chato, sério mesmo. O cara sempre me ignora, falta a educação com todo mundo, não faz nada de bom pra sociedade e vive se comendo com a namorada, outra chata, cruz credo. Ah, também tem o Kenny, um “primo”, ele é bem legal, engraçadinho, sabe? Hoje me chamou de linda e tudo!
Já tirei milhões de fotos por aqui, de tudo que você pode imaginar! O calor está de matar, e eu vivo no tédio, acho que vai ser assim até começar as aulas... Bem, me conta como tá por aí? Enfim, beijos, até logo.

4º (2)

         – Os velhos vão fazer falta! – Kenny disse se sentando no sofá novamente, mas dessa vez no mesmo que eu estava sentada.
         – É, agora fiquei sem meus pais no Brasil e nos Estados Unidos. – fiz bico.
         – Sério que você vem do Brasil? – ele abriu um sorriso sapeca. – Eu sabia que as mulheres de lá eram bonitas, mas não imaginava que isso começava desde cedo.
         – Como assim? – eu ri.
         – Ah, você é nova, tem quantos... – fez uma cara pensativa. – 15, 16 anos?
         – 16! – falei ainda sem entender.
         – Pois é, você tem 16 anos e já é linda, faz jus a fama de mulheres bonitas do Brasil! – ele piscou. Eu só dei uma gargalhada rápida e agradeci. Ele colocou um filme no DVD, e por incrível que pareça tinha legenda em português, eu fiquei maravilhada. Começamos a assistir, mas fomos interrompidos pelo casal sem educação se sentando no outro sofá e conversando como se não tivesse ninguém naquela sala.
         – Agora que seus pais foram viajar, eu posso ficar aqui por mais tempo, né gato? – Christine disse.
         – É. – Disse seco. Ele era frio até com ela? Que chatice!
         – Até porque antes era muito chato ficar aqui com eles interrompendo o tempo todo... – cara, ela não parou mais de falar. Eu não entendia bulhufas!
         – Pausa o filme Kenny, mas tarde a gente continua!
         – Beleza! Também não agüento mais ouvir essa voz enjoada. – nós rimos um pouco. E depois eu subi, liguei meu notebook. Lá no Brasil já era de madrugada, ninguém interessante estava online, então abri o Hotmail.

4º (1)

22 de julho de 2009
          
– Má querida, venha almoçar! – Lucy disse batendo a porta do meu quarto. Depois desci para almoçar, estavam todos na mesa, contando com Nate, Christine e Kenny - um sobrinho de Harold. 
         – Eu e Lucy queríamos conversar com vocês... – Harold foi interrompido.
         – Falem logo! – Nate disse. Mas que garoto sem educação! Respirei fundo para não xingá-lo ali mesmo.
         – Silêncio Nathaniel! – Harold disse mais rígido. – Eu e Lucy vamos para Chicago amanhã cedo para visitar um casal de amigos. Kenny, você pode ficar aqui o tempo que quiser, você sabe. – ele tinha uns 18 anos, estava lá porque os pais o expulsaram de casa. – Marina, – ele ainda tinha dificuldade em pronunciar. – Sinta-se em casa, e se precisar de qualquer coisa peça para Nate, ele ficara com o cartão de crédito para o que for preciso! – eu apenas concordei. Ele terminou de dar as ordens, e depois subiram para fazer as malas. Fui até a sala e liguei a TV, o que era difícil pra mim porque os programas eram todos desconhecidos e em inglês... Quer dizer, eu sei bem inglês, mas quando não entendo algo do que falam aqui, eu peço pra repetir, já na televisão é difícil. E foi isso que aconteceu.
         – O que ele disse? – perguntei pra Kenny, que estava sentado no outro sofá, assistindo comigo. Kenny riu, ele era descontraído, pude perceber isso nos três dias que já tinha passado na mesma casa que eu.
         – Ele disse “blown away”, que é
como “ficar impressionado”! – sorriu.
        
– Ah, entendi, obrigada!
         – Disponha linda! – eu somente sorri. Ficamos assistindo aquele programa até acabar, depois Lucy e Harold vieram se despedir. Abraçaram Nate, Kenny e eu por ultimo. Eles nem se quer olharam para Christine, mas era bem feito, a garota era tão mal educada quanto o namorado, ou até mais.

 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Uma semana
A minha primeira semana no Estados Unidos passou. Aproveitei que ainda estava de férias para conhecer a cidade, conhecer os shoppings – sim, eu amo – e montar meu primeiro álbum de fotos. Como eu sempre gostei de fotografia, meu pai me deu uma maquina profissional o que ajuda muito. Tirei fotos de todos os pontos turísticos que conheci, algumas minhas e outras das coisas incríveis que tinha por lá, como caixas de som espalhadas na calçada, carros antigos e bem cuidados, senhoras com cachorrinhos fofos dentro da bolsa, entre outras coisas. Achei tudo incrível!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

2º (2)

         A casa era grande, tinha dois andares, piscina, suítes... Era linda! Lucy e Harold me ajudaram a levar tudo para o meu quarto. Era também grande, bonito e delicado, decorado em azul bebe e branco.
         – Está com fome? – Lucy me perguntou. Como a essas horas lá no Brasil seria de madrugada, eu não estava com tanta fome, então neguei. – Ótimo, então podemos esperar o Nate para comer! – ela disse ainda sorridente.
         – Desculpa... Nate? – perguntei sem entender. Achei que o filho (ou filha) deles estaria na minha casa a essas horas, conhecendo meus pais.
        
– Nate é meu filho mais velho! – depois de conversar mais um pouco com ela, fui tomar um banho. Como era verão, coloquei um shortinho jeans surrado, uma regata rosa e um chinelinho de dedo. Prendi meu cabelo em um coque bagunçado e passei apenas uma base com protetor solar, e rimel. Desci as escadas e me deparei com um casal aos beijos no sofá da sala, e não eram meus “pais”. Sem falar nada fui até a cozinha, onde se encontrava Harold. 
         – Harold? – perguntei em tom educado.
         – Sim? – ele me olhou, me oferecendo um copo de suco, que aceitei.
         – Quem é? – apontei pra sala.
         – Ah sim, aquele é Nate e sua namorada, a... – ele parecia estar tentando se lembrar o nome da garota.
         – Christine, pai! – o garoto disse entrando na cozinha. Nossa, ele é um pedaço de mal caminho!  Ri do meu pensamento.
        
– Oi, sou Marina! – estiquei o braço pra ele me apresentando, mas ele não fez questão de apertar minha mão. 
         – É, eu sei. – ele disse com a cara fechada, saindo dali. Fiquei meio espantada, como um garoto tão bonito podia ser tão mal educado? Bom, fazer o que, não é? É a vida! Harold tentou se explicar pelo filho, mas eu disse que não tinha problema algum e subi novamente. Depois de algumas horas saímos para comer, e chegando em casa eu capotei, estava realmente com muito sono por conta do fuso horário. 


2º (1)

16 de Julho de 2009 (narrado por Marina)
         A viajem durou 9h, nove longas horas. Fiquei inquieta o tempo todo, mexia no celular, lia revistas, cochilava um pouco, comia... Eu não imaginava o que me esperava em Atlanta. Na verdade, eu já conhecia mais ou menos a família que me abrigaria, mas mesmo assim estava um pouco aflita. Haviam outros intercambistas lá, além do meu instrutor, então assim que chegamos em Atlanta ele me deu algumas informações e me ajudou a pegar todas as malas. Eu me sentei por ali, para esperar os Parker, ou melhor, a minha família americana. Depois de passar os olhos por algumas pessoas, vi que havia um casal, aparentavam já ter seus quarenta anos, com uma placa: Marina Rebello
– opa, é o meu nome. Ri sozinha, e fui em direção a eles. 
         – Oi, sou sua nova mãe! – a senhora me disse sorrindo, em inglês é claro.
         – Prazer, Marina! – eu disse também sorrindo, apertando a mão dela.
         – Olá Marina! – o senhor teve muita dificuldade em pronunciar meu nome corretamente, chegou a ser engraçado.
         – Me chame só de Má! – eu pensei que isso facilitaria a vida deles.
         – Tudo bem Má, eu sou Lucy e esse é Harold, meu marido. – fomos com o carro deles, uma Zafira, até a casa, conversando o tempo inteiro. Prédios bonitos, praças, ruas limpas, flores na janela, pessoas bem vestidas... Eu me sentia dentro de um filme!


4 MESES DEPOIS -

15 de Julho de 2009 (narrado por Marina) 
         Arrumei minhas malas com a ajuda da minha prima Jéssica, crescemos juntas e somos melhores amigas desde sempre. Como ela sempre morou no apartamento da frente, seria meio estranho me mudar, mas eu não poderia desistir do intercambio que sempre foi um sonho pra mim. Seis meses em Atlanta, ah, seria incrível!
         – Tá na hora filha! – minha mãe disse aparecendo na porta entre aberta no meu quarto, com uma aparência triste. Sorri pra ela, mostrando que tudo estava bem. Jéssica se sentou sobre minhas malas, enquanto eu tentava fechá-las de todas as formas. Rimos fazendo isso! Quando finalmente terminei de levar tudo pra sala, me despedi dos meus tios, que ajudaram meu pai a colocar tudo no carro. Foi uma hora de Campinas até o aeroporto de Guarulhos em São Paulo. Minha mãe fez o necessário no Check-In e depois fui me despedir deles.
         – Já foi tarde peste! – meu irmão Jorge disse brincando.
        
– Também vou sentir sua falta seu feio! – mostrei a língua pra ele, seguido de um abraço apertado. Fiz o mesmo com meus pais, depois de ouvir todas as restrições da minha mãe. “Seja educada”, “seja organizada”, “não de trabalho”, “ligue sempre que puder, e atenda todas as minhas ligações”, “lembre-se de que você está indo para finalizar seu curso de inglês, e que não serão férias”... As ouvi com atenção, afinal, ficaria seis meses sem ver meus pais. 
         – Ah, amiga! – Jéssica disse já chorando, enquanto me abraçava.
         – Fica calma Jéc! – o apelido dela. – Vou te mandar vários emails te contando as coisas, ok? Faça o mesmo!
         – Vou mandar, e vê se me responde todos eles!
        
– Ei, eu te amo! – a abracei novamente. 
         – Eu também amiga! – depois de terminarmos a despedida, fui dar mais um abraço apertado nos meus pais. Entrei na sala de embarque com algumas lagrimas nos olhos, tudo bem que eu não era tão grudenta com eles, mas eu nunca tinha ficado fora por tanto tempo. 


Assim que meu pai me deu aquela notícia, corri para ligar o meu notebook e entrar na internet. Ele finalmente ia pagar pra eu fazer um intercambio! Finalmente!
www.google.com
-> Agencia de Intercambio -> Estado: Geórgia | Cidade: Atlanta. 

OUTROS PERSONAGENS:






Christine - Tem 18 anos, pele clara e cabelos negros. É uma moça vivida, seus pais nunca ligaram muito pra ela, então ela sabe se virar bem sozinha. Nate é a unica pessoa madura com quem ela convive, o que deixa o namoro de certa forma chato, mas o que ela pode fazer? É apaixonada por ele. 
















Kenny - Um rapaz bonito, tem 19 anos e vive em Atlanta. É primo de Nate, e por conta de suas loucuras uma vez ou outra ele é expulso de casa. Kenny apesar de seu jeito avoado, gosta de ver as pessoas sorrindo, e faz tudo por seus amigos, e sua namorada Julie. 
















Julie - Moça bonita, aos 16 anos é completamente apaixonada por Kenny, seu namorado. Ela vem de boa família, apesar de estar sempre aprontando como o resto dos amigos. 

OUTROS PERSONAGENS:






Jéssica Torres - Uma menina muito bonita, tem 16 anos e mora com os pais, cursando o segundo ano do ensino médio. Melhor amiga de sua prima Marina desde que se entende por gente, ela se preocupa muito com as pessoas, além de ser muito doce.







Jorge Rebello - Tem 22 anos, cursa a faculdade de medicina e mora em Campinas - SP, com seus pais e sua irmã. Ele é animado, gosta de festas e agitação. Mas só até conhecer alguém que mexa com aquele coraçãozinho doce.





PERSONAGENS PRINCIPAIS:

Nathaniel Parker 
Mais conhecido com Nate, ele tem 21 anos e mora em Atlanta nos EUA. Ele é muito bonito, tem lindos olhos azuis e um ótimo físico. É meio reservado e misterioso, raramente se abre com as pessoas. Ele cursa a faculdade, mas ainda mora com os pais. Namora Christine, e bebe aos fins de semana. Sua vida não podia piorar. 

PERSONAGENS PRINCIPAIS:


Marina Rebello 
                                 
Tem 16 anos, olhos verdes e um sorriso encantador. Uma menina muito educada, brincalhona, as vezes meio estressada, mas nada que um bom banho não resolva. Mora em Campinas – SP. Foi criada em uma família liberal, tanto que no ultimo ano da escola o pai a deixou fazer um intercambio de 6 meses para os EUA.